domingo, 8 de março de 2015

Me dizem o que com o silêncio...


Meu eu-lírico me diz que
  ainda que tanto ruído cego ao meu redor
mesmo diante te tanta poeira molhada pertubando o meu sono

diz-me que o som do silêncio é que me fará saltar
   na mais profunda paz da consciência produtiva

meu eu-on-line há tempo compreende essa inércia
e
ainda que
sofrendo
 acostuma e se arranja de tal forma a compreender

agora,
já que mencionado consciência:
eis que a própria vê-se a pouco de tal choque
e acostumar-se com isso parece, missao
no minímo iniciaremos uma epopeia

distante nos vales de Cajamarca
distante nos Cerros Orientales
distante de mim mesmo

estarei ausente
so me basta saber se somente da internet

ps: certos padroes da norma culta nao sao alcancados por este teclado, uma pena, comigo e com a norma culta

sábado, 20 de setembro de 2014

Saudade Brasilis ...















 










Se há dias não escrevo
                  não que seja falta de inspiração
   mas 
sim 
                                                                                 por medo 
                      de não honrar tamanhas
muralhas serradas 

[espalhado]

E se por serras e desfiladeiros 
Me Gabo de alegria 
nas vertentes 
liricas 
da fantasia 
sem Gabo 
me desfilo 
Quevedos e Candelarias 

Santanderes e Bolivares 
Espadas e recortes 

[jogado]

não me reconheço na língua 
                          mas deleito-me nas serras infinitas del occidente 

 [confuso]

cadê meu céu 
                                                              cadê meu sol 
minhas estrelas
                            me sinto réu  
minhas janelas 
                    cadê cruzeiro 
                                 cadê estrelas
      cadê razão 
               meu chão 
                      meu São 
cade você
   ou eu
quem sou eu? 

                                                         este eu distante
                                         que só dá saudade               
   

        [nestes recortes de papel]
[de palavras]
              [de sentimentos]  

terça-feira, 6 de maio de 2014

Bom Tempo




















Desta vez
[não
pedirei que venha comigo
este caminho sombrio
estes pedaços vazios de asfalto
me mostram o caminho

pintaram-se sozinhas
são farsas desesperadas


soltou-me a mão
agora vá
em vão
não me siga

sinta a brisa que vem
parece bobagem
[mas
na verdade
houve tempo
que o tempo bom era gastar o tempo ouvindo a esmo o seu não


agora haja tempo
de [solidão
vou-me sozinho


que tem tanto som
que esse tempo é um tempo eu
que bom é esse tempo meu

e bom é esse tempo bom





imagem: http://www.fotolog.com/da_pitchulinha/61015846/

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Tristeza (in)



Se

    Me entristeço 
 dessa 
         triste 
tristeza 
          rude 
que 
          tristemente 
 me entristece durante 
as tristes noites 

           Se é frio 
me soo gelado 
                Se quente 
me ardo em espanto 

                     É sim tanta pureza 
essa tristeza 
que abate 
até 

a própria tristeza que sinto 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Superāre et Succumbere

Com Haroldo e Eder 






"Açuladas sirenes 
cortam teu coração cotidiano."

Superar et Sucumbir 
... 27!
As velas 
 fogo 
a vela 
o fogo 
acesso 
a vela 
a vala 
profunda 
a cama
vazia 
a alma 
amada 
esvazia 

"as vigilantes colunas à onda

escarmentam: vedando mais um 
passo - onde passar avante quer 
dizer trans-
gredir a medida as si-
gilosas siglas do não"

 não
nau ao chão 
 não 
 inferno de dante 
e para isso 
PARAÍSO 
 Poseidon 
 vão do não 
teu corpo no chão 

meu 
só um vão 

Te esperei



te esperei pra dançar

eu sentei e esperei
criei musgo e flori
beija-flores beijei
como onda do mar

você passou, eu sorri


é pra você
e parabéns 
e para sempre 
uma vela 
a sua vela 
e por ela 
navegue 
a vela 
vela d'água 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

MENINOS EU VI



 não vi o pai antropófago
mas vi as reluzentes cores
 dos cantos da carta da casa (torre)
DESABARem tão
e ressurgir entre remendos tortos
a reforma
a obra do futuro INCERTO

não o vi na via mameli em rapallo
 mas vi nos meus caminhos escuros
dos passeios de taciturnas reminiscências
as costas de quem julgou

não vi romam jakobson en la jolla
 mas vi
e re-vi a felina língua obtusa
do que às costas falam
 as faces se fazem
constroem sua amizade  

não vi francis ponge em bar-surloup
mas vi
o prumo pender
 a balança quebrar
o caráter corroer
a hipocrisia açoitar nos caminhos de clarice
a mentira rolar
o "babado" correr
e a verdade que a coragem
      não foi capaz de perguntar

mas eu vi
 e dos poucos que se salvaram a empreitada do mal
OBRIGADO

mas vi tudo isso 
 tudo isso e mais aquilo 
e tenho agora direito a uma certa ciência 
e a uma certa impaciência 

por isso não me mandem ir com calma

não vi em 49, 59, 66, ou sequer em 64
 mas do que vi em 13
em 14 não verei


imagem: http://olhares.uol.com.br/flavioruivo

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Bestiário Breve!


No profundo vazio da noite um ser…

Quando o dia se vai. Quando os raios do sol que iluminam a cidade se escondem. Ele sai de seu esconderijo. O ser solitário das noites sombrias toma conta da rua. E lenda e inverdade verídica sobre a fama deste cavalheiro obscuro se espalha pela cidade.

“Olha, o bem da verdade mesmo, é que eu nunca vi; e ainda acho que ninguém tenha visto o tal perambulando por ai. Vê eu nunca vi, mas eu já senti, vish! E como ein; eu penso que eu tenho essa coisa de sentir muito mais do que ver.”

Foi noticia por toda a cidade. Nas bancas de jornais as manchetes anunciavam: “Caça aos Maraorlantes”. As prefeituras das cidades se comprometiam a acabar com as infestações desses seres notoriamente desconhecidos, que perturbavam e assustavam os moradores das regiões de avistamento desses seres.

“Eu nunca vi não. O seu Milton ali da esquina, diz, vê quase que todo dia. Ele até disse que parece uma coisa assim meio macaco, só que preto, e mais desengonçado.”

“Ah! Já vi sim! Vejo muitos viu, todos os dias vamos fechar as lojas vejo as pestes sair das valas  dos bueros, eles vai come e puft volta pros bueros. Eu vendo as coisas  de noite assim, e lembrando que as minhas miopias não ajuda muito, vejo e digo que as pestes parece uns ratos, umas coisas velhas com rabos, orelhinhas pequenas, e eca! Pelos, pelos nojentos.”

“Menino, mas tá todo mundo falando do bicho agora ein! Deixa o bicho minha gente, que o bicho é da natureza, se é da natureza, é Deus, se é Deus o homem não pode sair matando assim não. Além disso o bichinho é uma graça. Eu vi uma vez só, um deles, que eu acho que era a mãe inclusive, estava bem ali na esquina perto do poste comendo. Ele é bem esquisito é verdade, parece um ornitorrinco. Não que eu tenha visto muitos ornitorrincos na minha vida; mas eu vi uma vez naquele canal descoveris Chanel, e eu posso dizer que é bem parecido”

Diante de tantos relatos discrepantes a cerca da identidade do tal animal, a prefeitura sugeriu que o nome do senhor bicho desconhecido fosse algo como: Maraorlante. Ou seja, uma grande mistura de hipóteses relacionadas à semelhança do tal animal.

Este é o Maraorlante, um ser solitário que todos viram, mas que ninguém sabe bem quem é ou de onde veio. Enquanto toma as manchetes dos jornais, e o imaginário popular, Maraorlante, este ser curiosamente sombrio vive no esgoto da cidade. E se esconde para não se tornar mais uma lenda por entre os becos da cidade.

Acasos foram mudando-o de seu habitat. E por mais acasos ainda eles pararam na grande cidade escura. Este notável espécime sabe muito bem, aliás, como nem outro sabe, a arte de se esconder. Logo foram parar no submundo da metrópole, passando a viver nos bueiros. Bueiros de córregos sujos. Onde escorre todo o resto da desumana porcaria humana. Onde termina toda a podridão que podre se disfarça, que sobra da civilização, que se esconde na dita superfície homo sapiens. E é do asfalto que vem o alimento desta exuberância bestial. Acostumado a mais nobre das dietas da floresta, alimentava-se ele de luz, da luz das estrelas, afinal ele um ser da noite, e ao contrário das suas companheiras do reino vegetal que se alimentam da luz do sol, ele se alimenta de luz, porém da luz das estrelas que emana a energia de seres a milênios mortos, e que transferem através de luz seus sinais de vida morta, sinais que atravessam o cosmo a magnifica velocidade inalcançável para enfim adentrar o sistema solar, alcançando o faminto Maraorlante; que lambe os beiços e incha a pança com os sabores do Cruzeiro do Sul, das Três Marias, e enfim das infindas constelações pedaços de carne-luz espalhadas pelo céu. Na cidade este faminto ser já não tinha mais sua fonte de alimento, seus olhos famintos procuraram por dias luz, procuraram por dias estrelas, luz escassa, alimento escasso; e ainda se assustaram ao ver a fartura do alimento que parecia vir de poucos metros de distância, era um banquete, era de encher os olhos, era falso, não era, na verdade, a luz que lhe enchia a boca d’água. Do pouco que lhe sobrava dos céus das tripas coração. Era momento de pouco fartura. Na angustiosa luta pela sobrevivência este faminto animal encontrou uma fonte menos escassa de alimentação. Ele tirou suas proteínas das sobras de luz, a sombra dos transeuntes que iam e vinham ora em pé, ora se equilibrando para se manter em pé.
 
E de tanto se alimentar, e de tanto se absorver Maraorlante se lançou sem fim a profunda realidade de ser esquecido, alimentado pelo que sobra da alma humana, ele passou a viver à sombra da sombra de uma superfície humana e perversa.





No profundo silêncio

do ser [a solitária
sozinho
ele
sobe para
 sobras do vazio
da sombra do ser 

humano [ sobra
se alimenta
as estrelas
estas já não
alimentam [de seres
mais
mas há 

alimento [ de sombra

nas sobras vazias
dos transeuntes
sozinhos



Este Bestiário foi produzido como atividade prática, o objetivo era escrever uma prosa tendo como tema um bestiário, para a partir dela produzir um poema. A atividade foi para a "Oficina de Criação Poética - COMO CRIAR INUTENSÍLIOS SEM SE TORNAR UM INÚTIL" Por Edson Cruz, na Casa das Rosas. 

Estas imagens fazem parte do Bestiário criado pelo italiano Francesco Sambo.

domingo, 18 de agosto de 2013

O PÓ: missão buscar

Ainda procuro


Abri os olhos
e o vento forte bateu
Em mim
e assim
o sabor da maresia tocou
Em mim
Meus olhos ardiam
A luz do sol tocou
E vi
Ao longe as ondas
a brancura da espuma da maré
Vi o balançar
Sem cessar
O vento intrigou meus fio de cabelo
O sabor do vento forte me balançou


Pisquei os olhos


Me abri em Vênus
Nu
Sobre a luz do pó das estrelas
Em mim
Vento de poeira côsmica
a luz das galáxias ardem nos olhos
olhei
pontos infinitos de som luzia
rochas em multipedaços cruzam o sem fim
pedaços rugosos se espatifam no rosto
minha atmosfera se desfaz


Pisquei os olhos


O fundo do mais profundo calor
Vulcões
Pedaços de lava tomam
e lavam o mar seco
rochas se formam sob meus pés
eu procuro o calor
o sabor do calor das profundezas


Pisquei o olhos

Sou larva
mais quente
estou
bola de fogo é
O hidrogênio da verdade queima
é o Sol
ser lua no sol
os olhos caçam encontram tempestades
solares ao ares o sol se desfaz


Pisquei os olhos


Lençóis brancos
janela aberta
se adormeço no sonho eterno
é a tranquilidade horizontal
cama
só cama
sou ama na cama
e tanta
vontade de encontrar
Foi só um pesadelo
uma hora, duas horas
amadurecer em
poucas
horas


Pisquei os olhos

Ainda há procura



imagem:
http://www.revide.com.br/blog/gustavo-junqueira/post/vastidao/

sábado, 17 de agosto de 2013

Ex-Vaecer-Se...


meu sopro 
 seco de 

minha alma 
 sadia dá 

ao lance re lance lança 

arpão profundo 
 meu corpo nu 
de vazias vontades vorazes 

a faca da ponta 
 no canto esquerdo 
perdoa 

sem sono a sombra 
 da umbra maldita 
meus olhos piscando 
imagens infinitas 

sou finito 

e único meu dom de viver 
meu corpo inverso 
só termino os versos 
eterno 
nas marcas profundas 
imundos 
não sou seu mundo 
e mudo de vozes 
me mudo suave 

essa noite vazia 
fria 
não sou vazio 
e me esvaio em felicidades 
e sem perceber
ei
ex vai ser nesse novo nascer
Ex-Vae-Ser
Esvaecer  









imagem: 
http://www.flickr.com/photos/24038199@N03/5112373503/

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Há fim...

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão
É inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra
vez

Adeus querido!



- Saliva 
E há sim
             Sabor
Saudável
Da saudade
                Sua
Sem sempre esperar
Seu sobressalto
                     Sobre nossa saudade
Se assim será

este sabor salgada da saliva 
soa 
se sua 
seca 
                     Seria então só os sonhos que não tivemos sempre