domingo, 8 de março de 2015
Me dizem o que com o silêncio...
Meu eu-lírico me diz que
ainda que tanto ruído cego ao meu redor
mesmo diante te tanta poeira molhada pertubando o meu sono
diz-me que o som do silêncio é que me fará saltar
na mais profunda paz da consciência produtiva
meu eu-on-line há tempo compreende essa inércia
e
ainda que
sofrendo
acostuma e se arranja de tal forma a compreender
agora,
já que mencionado consciência:
eis que a própria vê-se a pouco de tal choque
e acostumar-se com isso parece, missao
no minímo iniciaremos uma epopeia
distante nos vales de Cajamarca
distante nos Cerros Orientales
distante de mim mesmo
estarei ausente
so me basta saber se somente da internet
ps: certos padroes da norma culta nao sao alcancados por este teclado, uma pena, comigo e com a norma culta
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
sábado, 20 de setembro de 2014
Saudade Brasilis ...
Se há dias não escrevo
não que seja falta de inspiração
mas
sim
por medo
de não honrar tamanhas
muralhas serradas
[espalhado]
E se por serras e desfiladeiros
Me Gabo de alegria
nas vertentes
liricas
da fantasia
sem Gabo
me desfilo
Quevedos e Candelarias
Espadas e recortes
[jogado]
não me reconheço na língua
mas deleito-me nas serras infinitas del occidente
[confuso]
cadê meu céu
cadê meu sol
minhas estrelas
me sinto réu
minhas janelas
cadê cruzeiro
cadê estrelas
cadê razão
meu chão
meu São
cade você
ou eu
quem sou eu?
este eu distante
que só dá saudade
[nestes recortes de papel]
[de palavras]
[de sentimentos]
terça-feira, 6 de maio de 2014
Bom Tempo
Desta vez
[não
pedirei que venha comigo
este caminho sombrio
estes pedaços vazios de asfalto
me mostram o caminho
pintaram-se sozinhas
são farsas desesperadas
soltou-me a mão
agora vá
em vão
não me siga
sinta a brisa que vem
parece bobagem
[mas
na verdade
houve tempo
que o tempo bom era gastar o tempo ouvindo a esmo o seu não
agora haja tempo
de [solidão
vou-me sozinho
que tem tanto som
que esse tempo é um tempo eu
que bom é esse tempo meu
e bom é esse tempo bom
imagem: http://www.fotolog.com/da_pitchulinha/61015846/
imagem: http://www.fotolog.com/da_pitchulinha/61015846/
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Tristeza (in)
Se
Me entristeço
dessa
triste
tristeza
rude
que
tristemente
me entristece durante
as tristes noites
Se é frio
me soo gelado
Se quente
me ardo em espanto
É sim tanta pureza
essa tristeza
que abate
até
a própria tristeza que sinto
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Superāre et Succumbere
Com Haroldo e Eder
"Açuladas sirenes
cortam teu coração cotidiano."
Superar et Sucumbir
... 27!
As velas
fogo
a vela
o fogo
acesso
a vela
a vala
profunda
a cama
vazia
a alma
amada
esvazia
não
nau ao chão
não
inferno de dante
e para isso
PARAÍSO
Poseidon
vão do não
teu corpo no chão
o
meu
só um vão
é pra você
e parabéns
e para sempre
uma vela
a sua vela
e por ela
navegue
a vela
vela d'água
"Açuladas sirenes
cortam teu coração cotidiano."
Superar et Sucumbir
... 27!
As velas
fogo
a vela
o fogo
acesso
a vela
a vala
profunda
a cama
vazia
a alma
amada
esvazia
"as vigilantes colunas à onda
escarmentam: vedando mais um
passo - onde passar avante quer
dizer trans-
gredir a medida as si-
gilosas siglas do não"
não
nau ao chão
não
inferno de dante
e para isso
PARAÍSO
Poseidon
vão do não
teu corpo no chão
o
meu
só um vão
Te esperei
te esperei pra dançar
eu sentei e esperei
criei musgo e flori
beija-flores beijei
como onda do mar
você passou, eu sorri
é pra você
e parabéns
e para sempre
uma vela
a sua vela
e por ela
navegue
a vela
vela d'água
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
MENINOS EU VI
não vi o pai antropófago
mas vi as reluzentes cores
dos cantos da carta da casa (torre)
DESABARem tão
e ressurgir entre remendos tortos
a reforma
a obra do futuro INCERTO
não o vi na via mameli em rapallo
mas vi nos meus caminhos escuros
dos passeios de taciturnas reminiscências
as costas de quem julgou
não vi romam jakobson en la jolla
mas vi
e re-vi a felina língua obtusa
do que às costas falam
as faces se fazem
constroem sua amizade
não vi francis ponge em bar-surloup
mas vi
o prumo pender
a balança quebrar
o caráter corroer
a hipocrisia açoitar nos caminhos de clarice
a mentira rolar
o "babado" correr
e a verdade que a coragem
não foi capaz de perguntar
mas eu vi
e dos poucos que se salvaram a empreitada do mal
OBRIGADO
mas vi tudo isso
tudo isso e mais aquilo
e tenho agora direito a uma certa ciência
e a uma certa impaciência
por isso não me mandem ir com calma
não vi em 49, 59, 66, ou sequer em 64
mas do que vi em 13
em 14 não verei
imagem: http://olhares.uol.com.br/flavioruivo
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Bestiário Breve!
No profundo vazio da noite um ser…
Quando o dia se vai. Quando os raios do sol que iluminam a cidade se escondem. Ele sai de seu esconderijo. O ser solitário das noites sombrias toma conta da rua. E lenda e inverdade verídica sobre a fama deste cavalheiro obscuro se espalha pela cidade.
“Olha, o bem da verdade mesmo, é que eu nunca vi; e ainda acho que ninguém tenha visto o tal perambulando por ai. Vê eu nunca vi, mas eu já senti, vish! E como ein; eu penso que eu tenho essa coisa de sentir muito mais do que ver.”
Foi noticia por toda a cidade. Nas bancas de jornais as manchetes anunciavam: “Caça aos Maraorlantes”. As prefeituras das cidades se comprometiam a acabar com as infestações desses seres notoriamente desconhecidos, que perturbavam e assustavam os moradores das regiões de avistamento desses seres.
“Eu nunca vi não. O seu Milton ali da esquina, diz, vê quase que todo dia. Ele até disse que parece uma coisa assim meio macaco, só que preto, e mais desengonçado.”
“Ah! Já vi sim! Vejo muitos viu, todos os dias vamos fechar as lojas vejo as pestes sair das valas dos bueros, eles vai come e puft volta pros bueros. Eu vendo as coisas de noite assim, e lembrando que as minhas miopias não ajuda muito, vejo e digo que as pestes parece uns ratos, umas coisas velhas com rabos, orelhinhas pequenas, e eca! Pelos, pelos nojentos.”
“Menino, mas tá todo mundo falando do bicho agora ein! Deixa o bicho minha gente, que o bicho é da natureza, se é da natureza, é Deus, se é Deus o homem não pode sair matando assim não. Além disso o bichinho é uma graça. Eu vi uma vez só, um deles, que eu acho que era a mãe inclusive, estava bem ali na esquina perto do poste comendo. Ele é bem esquisito é verdade, parece um ornitorrinco. Não que eu tenha visto muitos ornitorrincos na minha vida; mas eu vi uma vez naquele canal descoveris Chanel, e eu posso dizer que é bem parecido”
Diante de tantos relatos discrepantes a cerca da identidade do tal animal, a prefeitura sugeriu que o nome do senhor bicho desconhecido fosse algo como: Maraorlante. Ou seja, uma grande mistura de hipóteses relacionadas à semelhança do tal animal.
Este é o Maraorlante, um ser solitário que todos viram, mas que ninguém sabe bem quem é ou de onde veio. Enquanto toma as manchetes dos jornais, e o imaginário popular, Maraorlante, este ser curiosamente sombrio vive no esgoto da cidade. E se esconde para não se tornar mais uma lenda por entre os becos da cidade.
Acasos foram mudando-o de seu habitat. E por mais acasos ainda eles pararam na grande cidade escura. Este notável espécime sabe muito bem, aliás, como nem outro sabe, a arte de se esconder. Logo foram parar no submundo da metrópole, passando a viver nos bueiros. Bueiros de córregos sujos. Onde escorre todo o resto da desumana porcaria humana. Onde termina toda a podridão que podre se disfarça, que sobra da civilização, que se esconde na dita superfície homo sapiens. E é do asfalto que vem o alimento desta exuberância bestial. Acostumado a mais nobre das dietas da floresta, alimentava-se ele de luz, da luz das estrelas, afinal ele um ser da noite, e ao contrário das suas companheiras do reino vegetal que se alimentam da luz do sol, ele se alimenta de luz, porém da luz das estrelas que emana a energia de seres a milênios mortos, e que transferem através de luz seus sinais de vida morta, sinais que atravessam o cosmo a magnifica velocidade inalcançável para enfim adentrar o sistema solar, alcançando o faminto Maraorlante; que lambe os beiços e incha a pança com os sabores do Cruzeiro do Sul, das Três Marias, e enfim das infindas constelações pedaços de carne-luz espalhadas pelo céu. Na cidade este faminto ser já não tinha mais sua fonte de alimento, seus olhos famintos procuraram por dias luz, procuraram por dias estrelas, luz escassa, alimento escasso; e ainda se assustaram ao ver a fartura do alimento que parecia vir de poucos metros de distância, era um banquete, era de encher os olhos, era falso, não era, na verdade, a luz que lhe enchia a boca d’água. Do pouco que lhe sobrava dos céus das tripas coração. Era momento de pouco fartura. Na angustiosa luta pela sobrevivência este faminto animal encontrou uma fonte menos escassa de alimentação. Ele tirou suas proteínas das sobras de luz, a sombra dos transeuntes que iam e vinham ora em pé, ora se equilibrando para se manter em pé.
E de tanto se alimentar, e de tanto se absorver Maraorlante se lançou sem fim a profunda realidade de ser esquecido, alimentado pelo que sobra da alma humana, ele passou a viver à sombra da sombra de uma superfície humana e perversa.
No profundo silêncio
do ser [a solitária
sozinho
ele
sobe para
sobras do vazio
da sombra do ser
humano [ sobra
se alimenta
as estrelas
estas já não
alimentam [de seres
mais
mas há
alimento [ de sombra
nas sobras vazias
dos transeuntes
sozinhos
Este Bestiário foi produzido como atividade prática, o objetivo era escrever uma prosa tendo como tema um bestiário, para a partir dela produzir um poema. A atividade foi para a "Oficina de Criação Poética - COMO CRIAR INUTENSÍLIOS SEM SE TORNAR UM INÚTIL" Por Edson Cruz, na Casa das Rosas.
Estas imagens fazem parte do Bestiário criado pelo italiano Francesco Sambo.
domingo, 18 de agosto de 2013
O PÓ: missão buscar
Ainda procuro
Abri os olhos
e o vento forte bateu
Em mim
e assim
o sabor da maresia tocou
Em mim
Meus olhos ardiam
A luz do sol tocou
E vi
Ao longe as ondas
a brancura da espuma da maré
Vi o balançar
Sem cessar
O vento intrigou meus fio de cabelo
O sabor do vento forte me balançou
Pisquei os olhos
Me abri em Vênus
Nu
Sobre a luz do pó das estrelas
Em mim
Vento de poeira côsmica
a luz das galáxias ardem nos olhos
olhei
pontos infinitos de som luzia
rochas em multipedaços cruzam o sem fim
pedaços rugosos se espatifam no rosto
minha atmosfera se desfaz
Pisquei os olhos
O fundo do mais profundo calor
Vulcões
Pedaços de lava tomam
e lavam o mar seco
rochas se formam sob meus pés
eu procuro o calor
o sabor do calor das profundezas
Pisquei o olhos
Sou larva
mais quente
estou
bola de fogo é
O hidrogênio da verdade queima
é o Sol
ser lua no sol
os olhos caçam encontram tempestades
solares ao ares o sol se desfaz
Pisquei os olhos
Lençóis brancos
janela aberta
se adormeço no sonho eterno
é a tranquilidade horizontal
cama
só cama
sou ama na cama
e tanta
vontade de encontrar
Foi só um pesadelo
uma hora, duas horas
amadurecer em
poucas
horas
Pisquei os olhos
Ainda há procura
imagem:
http://www.revide.com.br/blog/gustavo-junqueira/post/vastidao/
sábado, 17 de agosto de 2013
Ex-Vaecer-Se...
meu sopro
seco de
minha alma
sadia dá
ao lance re lance lança
arpão profundo
meu corpo nu
de vazias vontades vorazes
a faca da ponta
no canto esquerdo
perdoa
sem sono a sombra
da umbra maldita
meus olhos piscando
imagens infinitas
sou finito
e único meu dom de viver
meu corpo inverso
só termino os versos
eterno
nas marcas profundas
imundos
não sou seu mundo
e mudo de vozes
me mudo suave
essa noite vazia
fria
não sou vazio
e me esvaio em felicidades
e sem perceber
ei
ex vai ser nesse novo nascer
Ex-Vae-Ser
Esvaecer
imagem:
http://www.flickr.com/photos/24038199@N03/5112373503/
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Há fim...
Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão
É inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra
vez
Adeus querido!
- Saliva
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão
É inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra
vez
Adeus querido!
- Saliva
E há sim
Sabor
Saudável
Da saudade
Sua
Sem sempre esperar
Seu sobressalto
Sobre nossa saudade
Se assim será
este sabor salgada da saliva
soa
se sua
seca
Seria então só os sonhos que não
tivemos sempre
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